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Quais ovos são impróprios para consumo humano?

São impróprios para consumo humano os ovos que, na forma em que se encontram, apresentam um dos sete casos do art. 500 do RIISPOA. Alguns deles aparecem na casca, como sujidade de fezes e casca rompida. Os casos internos, como alterações da gema e da clara e podridão, exigem ovoscopia ou quebra do ovo.

Atualizado em · 4 min de leitura

O que significa impróprio para consumo humano no RIISPOA?

O art. 500 do RIISPOA (Decreto nº 9.013/2017) define quando ovos e derivados devem ser considerados impróprios para consumo humano. A expressão-chave é 'na forma como se encontram': a avaliação é feita sobre o ovo como ele está no momento da inspeção.

Ser impróprio é uma condição diferente de ser categoria B, que é inócua (art. 226). O ovo impróprio apresenta um dos problemas listados abaixo. Veja ovo categoria B.

Quais são os sete casos do art. 500?

A tabela resume os incisos e indica se cada caso pode ser visto por fora do ovo.

Os sete casos do art. 500 e se são visíveis por fora
IncisoO que o RIISPOA descreveVisível por fora?
IAlterações da gema e da clara, como gema aderente à casca, gema rompida, manchas escuras ou de sangue alcançando também a clara, e embrião com mancha orbitária ou em adiantado desenvolvimentoNão; exige ovoscopia ou quebra
IIMumificação, ou ovo seco por outra causaNão de forma confiável; exige ovoscopia ou quebra
IIIPodridão vermelha, negra ou brancaEm geral não; exige ovoscopia ou quebra
IVContaminação por fungos, externa ou internamenteEm parte: o mofo na casca aparece, o interior não
VSujidades externas por materiais estercorais, ou contato com substâncias que transmitem odores ou sabores estranhosEm parte: a sujidade aparece, o odor e o sabor não
VIRompimento da casca e sujidadeSim, na superfície
VIIRompimento da casca e das membranas testáceasEm parte: a casca rompida aparece; a membrana, não necessariamente

Quais casos uma câmera ou um operador vê por fora?

Os incisos V, VI e VII têm sinais na casca: sujeira de fezes, casca rompida e, em alguns casos, conteúdo exposto. Uma câmera de superfície vê esses sinais quando a sujeira ou a ruptura aparece na casca. O odor e o estado das membranas por baixo da casca não aparecem na imagem.

Os incisos I, II e III são internos e exigem ovoscopia ou quebra. Uma câmera de superfície não os enxerga. O Vigiovo, por exemplo, mede sujeira e trincas na casca e não verifica o interior, por isso não substitui a ovoscopia nesses casos (veja como funciona).

Todo ovo trincado ou sujo é impróprio para consumo?

Não. Uma trinca sozinha, com casca limpa e membrana testácea intacta, não aparece como caso do art. 500. Esse ovo vai para a industrialização o mais rápido possível (art. 227), e o guia sobre ovos trincados detalha os tipos de trinca.

A sujeira depende da origem. Sujidade de materiais estercorais é caso impróprio por si só (inciso V), mesmo sem trinca. Outras sujidades não aparecem nesse inciso. Já a casca rompida e suja é caso impróprio pelo inciso VI. Veja o guia sobre ovo sujo de fezes.

Como a inspeção de superfície e a ovoscopia dividem esses casos?

A inspeção de superfície identifica os casos V e VI, e parte do VII, quando a sujeira ou a ruptura aparece na casca. A ovoscopia é a etapa obrigatória para o restante, como alterações de gema e clara, mofo interno e sangue que alcança a clara (RIISPOA, art. 223, II).

Como os casos internos só aparecem na ovoscopia ou na quebra, a ausência de sinal na casca não prova que o ovo esteja apto. Esse ponto é tratado no guia sobre a ovoscopia obrigatória.

Perguntas frequentes

Ovo com sangue na casca é impróprio para consumo?

Depende de onde está o sangue. Sangue apenas na casca é uma questão de superfície e não é, por si só, o caso do inciso I. O inciso I trata do sangue que alcança também a clara, o que só a ovoscopia ou a quebra do ovo confirmam (RIISPOA, art. 500, I).

Todo ovo trincado é impróprio para consumo?

Não. Um ovo limpo trincado, com a membrana testácea intacta, não cai no art. 500 e vai para a industrialização o mais rápido possível (RIISPOA, art. 227). Ele se torna impróprio nos casos do art. 500, como a casca rompida e suja (inciso VI) ou a ruptura das membranas (inciso VII).

Uma câmera consegue identificar ovos impróprios?

Só em parte. Uma câmera de superfície vê sujidade de fezes, casca rompida e alguns sinais de vazamento, que correspondem aos incisos V, VI e VII. As alterações internas, como mofo interno, podridão e alterações da gema e da clara, exigem ovoscopia ou quebra.

Fontes

  1. Decreto nº 9.013/2017 (RIISPOA), Presidência da República (Brasil)

Como o Vigiovo ajuda

O Vigiovo classifica ovos na esteira como limpos, sujos, trincados ou não verificados, em tempo real, com visão computacional determinística: cada decisão vem com as medidas que a justificam e roda em CPU comum.

Veja como funciona