Glossário de inspeção e classificação de ovos

Este glossário define, em uma ou duas frases, os termos usados na classificação de ovos em casca e na inspeção por visão computacional. Ele junta o vocabulário da norma (ovoscopia, categoria A, membrana testácea) com o da tecnologia (segmentação, watershed, morfologia matemática), para que produtores e técnicos falem a mesma língua.

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Ovo e classificação

Ovoscopia
Exame do ovo contra uma fonte de luz forte, que revela por transparência a câmara de ar, a posição da gema, manchas de sangue e trincas finas. É etapa obrigatória nos estabelecimentos de ovos registrados no Brasil (RIISPOA, art. 223).
Ovo trincado
Ovo com a casca rompida ou rachada, mas com as membranas internas intactas e sem vazamento do conteúdo. Nos Estados Unidos é chamado de check (7 CFR 57.1).
Trinca capilar
Trinca tão fina que não aparece sob luz normal. Só é detectada por ovoscopia ou por teste acústico, não por uma câmera comum.
Ovo vazado
Ovo cuja casca e membranas estão rompidas a ponto de o conteúdo ficar exposto ou escorrer. Nos Estados Unidos é chamado de leaker (7 CFR 57.1).
Ovo sujo
Ovo com a casca inteira, mas com sujeira ou material estranho aderido, como fezes, sangue, terra ou gema. Não se enquadra na categoria A, que exige casca limpa (RIISPOA, art. 225).
Cutícula
Película fina que recobre a casca e ajuda a fechar seus poros. A lavagem pode removê-la, um dos motivos pelos quais a União Europeia proíbe lavar ovos classe A.
Membrana testácea
As duas membranas logo abaixo da casca. Se estão intactas em um ovo limpo trincado, ele ainda pode ir para a industrialização (RIISPOA, art. 227).
Câmara de ar
Espaço de ar na ponta mais larga do ovo, visível na ovoscopia. Na categoria A, não pode passar de 6 mm de altura e deve ser imóvel (RIISPOA, art. 225).
Categoria A
A classe de qualidade mais alta para ovos de consumo no Brasil: casca e cutícula de forma normal, lisas, limpas e intactas, entre outros requisitos internos (RIISPOA, art. 225).
Categoria B
Ovos inócuos que não atendem à categoria A. No Brasil são destinados exclusivamente à industrialização (RIISPOA, art. 226).
Ovo não verificado
No Vigiovo, o ovo que não pode ser visto por inteiro (cortado pela borda da imagem, sobreposto ou com formato anormal). Ele não recebe nota e vai para conferência manual.

Visão computacional

Segmentação por cor
Separar os pixels de interesse pela cor. O Vigiovo usa o espaço HSV para separar cascas quentes e claras dos roletes cinza e escuros da esteira.
Transformada de distância
Imagem em que cada pixel guarda a distância até a borda mais próxima da forma. O centro de cada ovo vira um pico, o que permite separar ovos encostados.
Watershed
Algoritmo de segmentação que trata a imagem como um relevo e o inunda a partir de sementes. As bacias que se encontram definem a fronteira entre objetos encostados.
H-máximos
Picos regionais que se destacam pelo menos h acima da vizinhança. Usá-los como sementes evita que um ovo seja dividido em dois por ruído.
Morfologia matemática
Operações de forma, como erosão, dilatação, abertura e fechamento, que limpam máscaras, removem ruído e realçam estruturas de um tamanho específico.
Black-hat e top-hat
Filtros morfológicos que realçam detalhes finos mais escuros (black-hat) ou mais claros (top-hat) que a vizinhança. São a base da detecção de trincas por imagem.
Espaço de cor Lab
Espaço de cor que separa luminosidade (L) de cor (a e b). Permite detectar uma mancha de cor diferente mesmo quando ela tem o mesmo brilho da casca.
Superfície de sombreamento
Superfície quadrática ajustada por mínimos quadrados ao brilho de cada ovo. O que fica muito abaixo dela é mancha; o degradê natural do domo não conta.
Visão computacional determinística
Processamento de imagem por regras fixas, sem modelos treinados nem aleatoriedade. A mesma imagem com a mesma configuração sempre gera o mesmo resultado.
Raio de referência (r)
O raio típico de um ovo na imagem, medido no primeiro quadro. Os limites do Vigiovo são múltiplos de r, então valem para qualquer resolução de câmera.